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Espírito Santo

Padre Theodor Amstad: o legado do Patrono do Cooperativismo Brasileiro

Conheça a trajetória da liderança que propagou o cooperativismo de crédito no Brasil e transformou a vida de diversas comunidades


05/11/2025 17:56 - Por Síntia Ott
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Foto: reprodução

No dia 9 de novembro de 1851, nascia o Padre Theodor Amstad, em Beckenried, na Suíça. No entanto, foi no Brasil que os seus feitos entraram para a história, tendo liderado a criação de diversas cooperativas de crédito. Em reconhecimento às suas contribuições, desde 2019 o padre é oficialmente considerado o Patrono do Cooperativismo Brasileiro, de acordo com a Lei n° 13.926.

Neste artigo, resgatamos a trajetória dessa liderança que não se limitou ao trabalho religioso, mas buscou auxiliar o desenvolvimento das comunidades que frequentava, e como o cooperativismo desempenhou um papel central nesse processo. Continue conosco para conhecer o legado construído por Amstad e se inspirar com as ações que ele protagonizou.

Boa leitura!

Europa: juventude e estudos

As habilidades mais marcantes do Padre Amstad já eram visíveis quando ele ainda era menino. O meio em que cresceu teve uma influência positiva sobre o seu desenvolvimento. Sua família era religiosa e tinha uma condição financeira confortável, fruto das atividades de um armazém local que administrava. Seu pai era José Maria Amstad, e sua mãe, Regina Amstad-Christen, que criaram sete filhos no total.

Em 1863, aos 12 anos de idade, o futuro Padre Amstad finalizou o ensino primário. No ano seguinte, começou a frequentar o colégio jesuíta em Feldkirch, na Áustria, onde realizou o secundário. Devido à enfermidade de seu pai, Amstad assumiu responsabilidades desde jovem, tornando-se chefe do armazém da família aos 13 anos, além de ter trabalhado como carteiro. Ele ajudava a fazer registros, exercendo desde cedo o seu conhecimento da matemática.

Aos 15 anos, com a morte de seu pai, Amstad assumiu os negócios da família. Com 18 anos, em 3 de outubro de 1870, entrou para a vida sacerdotal como noviciado. Devido a conflitos do governo com os jesuítas na Suíça, ele e outros praticantes da ordem religiosa precisaram sair do país. Assim, em 1972, começou a cursar Humanidades em Wynandsrade, na Holanda.

Na Áustria, em 1877 e 1878, atuou como professor no Colégio Stella Matutina de Feldkirch. Em 1881, foi para a Inglaterra para cursar Teologia. Em 8 de setembro de 1883, ainda no mesmo país, ele recebeu a ordem sacerdotal, tendo realizado sua primeira missa no dia seguinte.

Em 1885, o padre foi chamado para iniciar seu trabalho missionário. Ele foi indicado para viajar para a Itália, mas com uma intervenção do padre Agostinho, conseguiu alterar seu destino para o Brasil.

Brasil: trabalho missionário e filantrópico

Em 1885, o Padre Theodor Amstad viajou para o Brasil, designado especialmente para dar assistência eclesiástica aos imigrantes germânicos que vieram para o País a partir de 1824. Depois de uma breve estadia no Rio de Janeiro, chegou a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 18 de setembro.

No entanto, foi na região de São Sebastião do Caí que o padre exerceu a maior parte do seu trabalho missionário, onde atuou por 12 anos, percorrendo com uma mula as capelas do interior. Estima-se que ele tenha percorrido mais de 150 mil quilômetros montado, circulando em comunidades rurais do Rio Grande do Sul.

Foto: reprodução

Observador como era, logo percebeu que as famílias não careciam apenas de assistência religiosa, mas também de apoio financeiro e educação. O padre acreditava que esses problemas poderiam ser minimizados por meio da ajuda mútua. Com essa filosofia, em 1900 fundou a primeira Associação de Agricultores do Brasil, também conhecida como Bauernverein. A instituição era interconfessional, reunindo católicos e protestantes.

Em 28 de dezembro de 1902, Amstad ajudou a constituir a primeira cooperativa financeira da América Latina, a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad, em Linha Imperial, no município de Nova Petrópolis. Hoje, a cooperativa é conhecida como Sicredi Pioneira RS, a instituição financeira privada mais antiga do Brasil. No início, a cooperativa seguia os moldes das caixas rurais do sistema Raiffeisen.

O primeiro depósito, inclusive, foi feito pelo Padre Amstad, no valor de 100$000 réis, em nome da Comunidade Católica de Faria Lemos. A liderança incentivava as pessoas a pouparem e defendia que a caixa rural não deveria ter unicamente fins lucrativos, mas também promover a colaboração e a solidariedade entre os seus membros.

Além da Sicredi Pioneira, o padre também ajudou a fundar outras 36 cooperativas entre os anos de 1903 e 1940. Paralelamente, Amstad manteve o seu trabalho religioso, atuando como missionário na paróquia de São José do Hortêncio (1897 a 1905) e em Linha Imperial, em Nova Petrópolis (1905 a 1908). De 1908 a 1912, foi vigário-cooperador na paróquia de Lajedo. Em 1919, sofreu um acidente de montaria, que o obrigou a encerrar suas viagens, embora não tenha cessado seu trabalho missionário.

Amstad também se destacou por outras causas, como a valorização das mulheres, instigando-as a terem voz ativa, e a atender necessidades das comunidades de imigrantes. Um exemplo foi a sua contribuição para a formação de parteiras. O padre percebeu que faltavam médicos e hospitais nas regiões que percorria, e as parturientes frequentemente faleciam no parto por não terem assistência. Por isso, em 1912 criou a associação popular Volksverein, por meio da qual contratou um médico que formou centenas de parteiras. 

Devido ao acidente sofrido com sua mula, o padre permaneceu em uma cadeira de rodas de 1923 até a sua morte, que ocorreu em 7 de novembro de 1938, na Chácara dos Jesuítas, em São Leopoldo (RS). Ele faleceu a dois dias de completar 87 anos.

Monumento em memória ao Padre Amstad