O ano de 2025 foi marcado por uma safra recorde de café conilon, com forte avanço na produção e preços historicamente elevados ao produtor. No início daquele ano, a saca chegou a ser comercializada, em média, a R$ 1.919,82 no Espírito Santo. Já em 2026, o cenário é diferente: a saca está sendo negociada em torno de R$ 1.067,94, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Para a safra 2026, a expectativa da Cooabriel é de uma produção ligeiramente menor do que a registrada no ciclo anterior, avaliação de Luiz Carlos Bastianello, presidente da cooperativa, considerada a maior de café conilon do Brasil.
No Espírito Santo, maior produtor nacional de café conilon, as estimativas de produção variam conforme a metodologia das consultorias e órgãos oficiais. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra capixaba encerrou 2025 em 14,2 milhões de sacas, crescimento de 43,8% em relação ao ciclo anterior, enquanto a produção de 2026 está estimada em 14,9 milhões de sacas. Já a StoneX projetou a safra de 2025 em 19,2 milhões de sacas e estima a produção de 2026 em 16,3 milhões de sacas.
Apesar das boas perspectivas produtivas, a cooperativa avalia que o ciclo atual tende a apresentar leve recuo em relação ao desempenho excepcional do ano passado, reflexo principalmente da bienalidade da cultura.
“A safra de 2026 deve ser ligeiramente menor que a de 2025, embora ainda seja prematuro estimar um percentual para essa redução. O potencial produtivo das lavouras que produziram em 2025 é menor neste ciclo, por questões fisiológicas das plantas. A bienalidade também incide sobre o café conilon, embora ocorra com menor intensidade quando comparada ao arábica”, destacou Bastianello.
Segundo ele, a entrada de muitas lavouras em fase de produção contribui para elevar os números. Ainda assim, esse movimento não deve ser suficiente para alcançar os níveis registrados na safra passada.
Com relação ao mercado, será necessário acompanhar a relação entre o desempenho da produção e o consumo mundial. Bastianello aponta que esse será um dos fatores decisivos para indicar se os preços tendem à recuperação, à estabilização ou à queda.
“Cabe acrescentar que, com as margens mais apertadas pela elevação dos custos de produção, é importante que o produtor busque cada vez mais eficiência. A atenção à gestão de custos, ao manejo nutricional adequado das lavouras, ao controle de pragas e doenças e à otimização do uso da mão de obra torna-se ainda mais determinante para a rentabilidade”, avaliou.
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