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Espírito Santo

Cooperativa educacional CEL une IA, impressora 3D e afeto para fortalecer a inclusão

Professores de História e Matemática resolveram reinventar os métodos de aprendizagem de um aluno do 6º ano, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA)


02/09/2026 15:40 - Por Amanda Kfuri
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Com a impressora 3D, foram produzidos diversos elementos, como dinossauros, ninhos e ovos do animal para as atividades do estudante. Foto: Divulgação/CEL

A inclusão começa quando um aluno está presente, mas ganha ainda mais significado quando ele realmente participa. Foi com esse olhar que professores da Cooperativa Educacional de Linhares (CEL) transformaram um desafio cotidiano de sala de aula em uma oportunidade de tornar a aprendizagem mais acessível, inclusiva e participativa.

Diante da necessidade de adaptar os conteúdos para aprimorar o processo de aprendizagem de um aluno do 6º ano em processo de alfabetização, com dificuldades de socialização e diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), os docentes decidiram ir além.

As respostas não vieram de uma única ferramenta ou de uma solução pronta. Em vez disso, elas foram construídas gradualmente, a partir da observação, do planejamento pedagógico e da busca por formas de aproximar o conhecimento da realidade daquele estudante.

O ponto de partida foi algo já muito presente em seu universo: os dinossauros, um dos seus principais hiperfocos. O resultado foi a criação, por meio da inteligência artificial, de conteúdos em uma linguagem mais próxima dos interesses e das possibilidades de compreensão do aluno. 

A proposta foi buscar outras formas de apresentar as mesmas habilidades, relacionando-as com o universo de seu gosto e utilizando recursos visuais para estímulo. Na área da matemática, por exemplo, conduzida pela professora Ana Matildes, foram planejadas atividades envolvendo identificações e continuidade de sequências numéricas, antecessor e sucessor, números pares e ímpares e operações envolvendo adição.

As atividades também contemplam ordem crescente e decrescente, classificação e organização de objetos e números, compreensão da adição como operação básica e resolução de situações-problema simples com números até 10. 

Do ambiente virtual para as mãos do aluno

Foto: Divulgação/CEL

A experiência ainda ganhou uma nova dimensão quando o trabalho desenvolvido com auxílio da IA foi associado a outro recurso tecnológico disponível na escola: uma impressora 3D. 

O equipamento, que pertence à Cooperativa Mirim dos Alunos da CEL (Coopemcel), foi adquirido com recursos conquistados por meio de um concurso realizado anualmente pelo Sicoob.

Com o novo instrumento, foram produzidos diversos elementos, como dinossauros, ninhos e ovos do animal. Assim, aquilo que inicialmente aparecia em atividades visuais passou também a existir de maneira concreta diante do estudante na vida real.

Na prática, os ovos podem ser contados, agrupados e ordenados pela criança. Também podem representar números, sequências, antecessores e sucessores, ou serem acrescentados ou retirados durante uma situação de adição. Os dinossauros, por sua vez, mantêm o vínculo da atividade com um universo que desperta o interesse e envolvimento do aluno.

Por meio da manipulação dos objetos, da organização de sequências, da observação de padrões e da realização de atividades concretas, o aluno passou a participar de forma bem mais ativa das propostas pedagógicas.

Tecnologia em função da inclusão social

Cada etapa da aprendizagem foi sendo construída pelos próprios docentes, com o apoio do assistente de IA e, posteriormente, da impressora 3D. Aplicadas no dia a dia pelos professores, as novas estratégias de ensino passaram a funcionar também como uma forma de observar como o aluno aprende e o seu nível de aprendizado.

Para a coordenadora pedagógica Nelir Colombo, o sucesso da iniciativa está justamente na combinação entre inovação e o acompanhamento individualizado pedagógico. “Neste projeto, a tecnologia não substitui o professor e tampouco realiza sozinha o processo pedagógico. É o educador quem conhece o estudante, identifica suas necessidades, acompanha suas respostas e define os objetivos que precisam ser alcançados. A IA entra justamente como uma ferramenta de apoio para ampliar as possibilidades de planejamento e personalização”, destacou.

E, embora tenha surgido a partir das necessidades de um aluno específico, a experiência desenvolvida pela coop educacional deixa aprendizados que alcançam e beneficiam toda a comunidade escolar. O diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, reforça que ações como essa ajudam a enfatizar ainda mais a essência e o diferencial do ensino cooperativista. 

“As cooperativas educacionais não preparam os alunos apenas para se formarem como estudantes, e sim como cidadãos, desenvolvendo valores que são fundamentais na sociedade atual, como autonomia, senso de comunidade e cidadania. Por isso, a inclusão sempre será uma pauta de extrema importância no movimento cooperativista. Parabenizo a cooperativa CEL pela brilhante iniciativa, pelo envolvimento dos docentes e pelos incansáveis projetos pautados em uma educação mais humana, participativa e inclusiva”, salientou a liderança. 


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Fonte: Sistema OCB/ES

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