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Espírito Santo

Curiosidades do coop: 5 clubes de futebol que se inspiraram no cooperativismo

Descubra como o modelo cooperativo ultrapassa as fronteiras do mercado e chega aos gramados, inspirando clubes de futebol ao redor do mundo


26/11/2025 10:20 - Por Síntia Ott
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Foto: Adobe Stock

Estima-se que existem cerca de 301 mil clubes de futebol registrados no mundo, além de 1,7 milhão de equipes. Em paralelo, existem mais de 3 milhões de cooperativas no mundo e mais de 1 bilhão de cooperados, de acordo com Aliança Cooperativa Internacional (ACI). Mas o que esses dois temas – futebol e cooperativismo – têm em comum?

O fato é que os dois movimentos envolvem milhares de pessoas e mobilizam comunidades. Além disso, despertam o sentimento de pertencimento e orgulho em quem faz parte deles. Torcer por um time é dividir emoções com pessoas que compartilham objetivos em comum, e isso também acontece em uma cooperativa, pois os valores do grupo precisam convergir em uma direção.

O cooperativismo também está presente de forma mais concreta no futebol, inspirando diversos clubes a optarem por uma gestão compartilhada, nos moldes de cooperativas ou associações sem fins lucrativos. Nesses casos, ao invés de funcionarem como empresas privadas administradas por poucos investidores, os sócios-torcedores é que tomam as decisões.

Ainda que a estrutura jurídica de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) tenha se tornado comum no futebol brasileiro, desde a sanção da Lei 14.193, em 2021, alguns clubes ainda preservam ou deixaram um legado importante ao utilizarem gestões semelhantes às de uma cooperativa.

A seguir, conheça cinco clubes de futebol ao redor do mundo que se inspiraram ou ainda adotam a gestão cooperativa.

Real Madrid (Espanha)

Real Madrid comemorando a vitória na Liga dos Campeões (The Champions League) em 2018. Foto: divulgação

Fundado em 1902, o Real Madrid Club de Fútbol, mais conhecido como Real Madrid, é um clube de referência no futebol mundial e espanhol. O que muitos não sabem é que o time é administrado por uma gestão cooperativa, ou melhor: funciona como uma associação civil sem fins lucrativos.

Os sócios são os mais de 100 mil torcedores do clube, semelhante aos cooperados, que pagam taxas para fazer parte da associação. Eles ainda podem eleger o presidente e a diretoria do clube em um sistema de representação por delegados. Os fundos arrecadados também são de responsabilidade dos sócios. Portanto, hoje o clube não possui ações à venda no mercado.

Contudo, desde 2024, o atual presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, tem considerado transformar o clube em uma Sociedade Anônima Desportiva (SAD), semelhante ao modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no Brasil, que permite a venda de ações a investidores e busca de financiamento em mercados de capitais. 

St. Pauli (Alemanha)

Vitória do St. Pauli sobre o Hamburgo SV (HSV), no Volksparkstadion, em agosto de 2025. Foto: divulgação

O St. Pauli é um clube poliesportivo fundado em 1910. Com uma história repleta de altos e baixos, ressurgiu na década de 1980, abraçado por uma comunidade mais progressista e alternativa e tornando-se o primeiro das principais divisões alemãs a ter uma mulher como dirigente, além de um presidente adepto ao movimento LGBTQIAPN+.

Em 2009, o clube incorporou princípios semelhantes ao do cooperativismo, ao declarar que “promove os interesses de seus membros, funcionários, torcedores e voluntários para além da esfera esportiva”, além de reforçar seu compromisso com as demandas da comunidade local, à semelhança do sétimo princípio do cooperativismo.

Em novembro de 2024, o St. Pauli foi o primeiro clube de futebol alemão a lançar oficialmente uma cooperativa: a Football Cooperative St. Pauli. Para se tornar um cooperado, é preciso comprar ações do clube. Cada uma custa 850 euros. Dessa parcela, 68 euros são investidos na infraestrutura da cooperativa. Os cooperados são os detentores da maioria das ações da empresa e, independentemente da cota de investimento que realizarem, todos possuem direito a um voto.

Mushuc Runa (Equador)

Formação do Mushuc Runa que jogou contra a Unión Española, no Estádio Santa Laura, em Santiago, em 2019. Foto: Carlos Figueroa Rojas

Já imaginou uma cooperativa de crédito indígena montando um clube de futebol proeminente? Esse é o caso de um grupo de indígenas Chibuleos, da província de Tungurahua, no Equador, que em 1977 criou a Cooperativa de Ahorro y Crédito Mushuc Runa.

O grupo enfrentava dificuldades para obter financiamentos junto a bancos tradicionais. Fundar uma cooperativa significaria ter uma fonte própria de investimentos. Assim, 38 cooperados iniciaram um negócio de sucesso, que resultou em mais de 32 escritórios espalhados pelo Equador. 

A vontade de ampliar a representatividade indígena na comunidade local instigou a cooperativa a criar o Mushuc Runa Sporting Club, em janeiro de 2003. O time começou a jogar em divisões inferiores, mas se consolidou em pouco tempo, pois já em 2018 se classificou para a Copa Sul-Americana. 

Cooperativa Manchester de Futebol (Brasil)

A formação Cooperativa Manchester de Futebol em 1994. Foto: divulgação

No município de Juiz de Fora, em Minas Gerais, o futebol local não estava em sua melhor fase, sem representantes na primeira divisão estadual. Assim, os clubes Tupi, Tupynambas e Sport se juntaram para criar a Cooperativa Manchester de Futebol, em 1994, em homenagem ao nome da cidade de Juiz de Fora, que já levou o apelido de Manchester Mineira.

O clube chegou a ficar em 2° lugar na série B do Campeonato Mineiro em 1994 e entrou para a série A no ano seguinte, mas acabou sendo rebaixado. A experiência não durou muito tempo, pois a cooperativa deixou de existir em 1996. 

Cruz Azul (México)

Jogo do Cruz Azul contra o La Máquina, no Estádio Cuauhtémoc, em novembro de 2025. Foto: Édgar Dávila/CAFC

Embora não seja um modelo de gestão comum no futebol mexicano, a Cooperativa La Cruz Azul é um bom exemplo de conexão entre o cooperativismo e o futebol. Fundada em 1881, a empresa atua com a produção de cimento e possui duas plantas que funcionam como cooperativas e outras duas como sociedades anônimas.

Em 1927, os diretores da cooperativa decidiram criar um clube de futebol, o Club Deportivo Cruz Azul, incialmente formado por funcionários. A partir de 1960 o clube começou a se profissionalizar, saindo de jogos amadores para disputar torneios na primeira divisão.

O clube atingiu seu auge em 1970, e tem em sua conta de sucesso o fato de ser um dos maiores vencedores do Campeonato Mexicano. Foi, ainda, a primeira equipe mexicana a se classificar para a final da Copa Libertadores da América de 2001.

 

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Fonte: Sistema OCB/ES

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