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Espírito Santo

Curiosidades do coop: conheça as cidades que respiram cooperativismo

Da capital mundial à capital capixaba do cooperativismo, saiba mais da história de cidades que vivem a cooperação na prática


02/10/2025 11:26 - Por Emilly Rocha
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Foto: Montagem

As cooperativas são reconhecidas pela preocupação que têm com o desenvolvimento das comunidades onde atuam. Por isso, nas cidades onde se instalam, elas transformam realidades, gerando trabalho, renda e oportunidades – tudo isso com base na cooperação.

No artigo de hoje, vamos te apresentar três cidades que se destacam como verdadeiros polos do cooperativismo. Rochdale, na Inglaterra, é considerada a capital mundial do cooperativismo; Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, é a capital brasileira; e São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, é a capital capixaba.

O cooperativismo marcou a história e mudou os rumos desses três municípios. Por meio do modelo de negócio, eles conseguiram colher bons frutos para a população, elevando a qualidade de vida. 

Embarque com a gente nessa jornada e já coloque esses destinos na sua próxima lista de viagens! Aperte o cinto e boa leitura!

Rochdale, onde tudo começou

Nossa primeira parada é na Inglaterra. Afinal, não podemos falar sobre cidades cooperativistas sem citar a mais famosa de todas, não é mesmo? Rochdale é o berço do cooperativismo moderno. Foi na cidade inglesa que, durante a segunda fase da Revolução Industrial, 28 tecelões criaram a Sociedade Equitativa dos Pioneiros de Rochdale, considerada a primeira cooperativa da era moderna.

A coop surgiu para suprir as necessidades dos trabalhadores, que, com dificuldades para adquirir itens para a sua subsistência, se juntaram para comprar produtos básicos como farinha, manteiga e açúcar com preços mais justos. Em 31 de dezembro de 1844, eles abriram sua primeira loja na Toad Lane (Beco dos Sapos), um pequeno armazém que se tornaria símbolo de um movimento global.

A iniciativa dos pioneiros não apenas solucionou um problema local, mas lançou as bases de um modelo econômico que se espalharia pelo mundo. O sucesso da cooperativa chamou atenção por sua gestão democrática, pela divisão justa dos resultados e pela valorização da educação dos membros – princípios que mais tarde seriam reconhecidos internacionalmente como os Princípios de Rochdale , adotados pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI).

Tamanho foi o reconhecimento à cooperativa e à cidade onde ela surgiu que, em 2011, durante Assembleia Geral realizada no México, a ACI declarou oficialmente Rochdale como a Capital Mundial do Cooperativismo. A decisão foi baseada no legado histórico da cidade, onde foram estabelecidos os princípios que regem o cooperativismo moderno. A proposta foi apresentada pela ACI das Américas.

O reconhecimento internacional consolidou Rochdale como um destino simbólico e educativo para o movimento cooperativista. Hoje, no mesmo local onde os pioneiros abriram a loja, está situado o Rochdale Pioneer Museum, que resgata a trajetória da coop. O edifício é uma réplica da loja original, contendo móveis rudimentares, balanças e itens que eram vendidos à época. Para quem deseja fazer uma espécie de viagem no tempo ao século XIX, essa é a parada perfeita!

Fachada do Rochdale Pioneer Museum. Foto: reprodução/ Co-operatives UK

Nova Petropólis, berço do cooperativismo de crédito da América Latina

No frio da Serra Gaúcha e em meio às araucárias que marcam a paisagem da região, está uma cidade com pouco mais de 23 mil habitantes que carrega parte da história e do legado do cooperativismo brasileiro. Formada, em sua maioria, por imigrantes de origem germânica, a colônia província de Nova Petrópolis foi fundada no ano de 1858.

Somente em 1955, 97 anos após sua criação, que Nova Petrópolis foi oficialmente emancipada como município. No entanto, essa formalização apenas reconheceu o que já era realidade: Nova Petrópolis já era uma cidade organizada e promissora que, anos antes, tinha sido palco de grandes acontecimentos e de grandes avanços econômicos e sociais.

Um desses acontecimentos foi a criação da primeira cooperativa de crédito do Brasil e da América Latina, a Cooperativa Caixa de Economias e Empréstimos Amstad, que recebeu outros nomes ao longo da sua história e hoje conhecida como Sicredi Pioneira. A fundação da cooperativa ocorreu no dia 28 de dezembro de 1902 e contou com a presença de 20 sócios-fundadores. 

Um desses sócios-fundadores era o padre suíço Theodor Amstad, que foi o idealizador da cooperativa e articulador de ideias e ações desenvolvidas. Depois disso, o religioso ampliou sua área de atuação e fundou outras 37 cooperativas, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O legado que Amstad construiu foi o fundamental para a evolução do cooperativismo no país, e, por isso, em 2019, ele recebeu o título de patrono do cooperativismo brasileiro.

Como é possível imaginar, o surgimento da cooperativa de crédito em Nova Petrópolis impactou profundamente a vida dos moradores locais. Como berço do cooperativismo financeiro da América Latina, a cidade se tornou referência no cooperativismo e, em 2010, foi coroada com o título de Capital Nacional do Cooperativismo. Por isso, o modelo de negócio cooperativista impacta a economia, a cultura e o turismo da cidade.

É em Nova Petrópolis que fica um dos mais famosos monumentos em homenagem ao cooperativismo do mundo. O Monumento à Força Cooperativa, inaugurado em 2002, retrata sete pessoas carregando uma pedra, uma referência direta à uma citação feita pelo padre Amstad que pregava a união de pessoas com objetivos comuns para contornar dificuldades.

E para quem deseja uma imersão na história do cooperativismo, o município da Serra Gaúcha tem o roteiro turístico perfeito para isso! A rota Berço do Cooperativismo passa por alguns pontos turísticos e históricos, são eles:

  • 1ª sede do cooperativismo
  • Igreja São Lourenço Mártir
  • Praça Padre Amstad
  • Caixa Rural e Memorial Padre Amstad
  • Pinheiro Multissecular
  • CTG Pousada da Serra
Monumento à Força Cooperativa localizado na Praça das Flores, em Nova Petrópolis. Foto: Viagens e Caminhos

São Gabriel da Palha, a capital capixaba do cooperativismo

Saindo de Nova Petrópolis, nossa próxima parada é no Noroeste do Espírito Santo, em São Gabriel da Palha. A cidade foi reconhecida como capital estadual do cooperativismo em 2023. Esse título é resultado de uma trajetória marcada pela valorização da cultura cooperativista desde os primeiros anos do município, quando moradores já se reuniram para participar de cursos e encontros sobre o tema, ainda na década de 1960.

Atualmente, São Gabriel da Palha abriga seis cooperativas em atividade: Cooabriel, Coopcam, Coopesg, Cresol Fronteiras, Sicoob Conexão e Sicredi Essência. De acordo com o último Censo do Cooperativismo (ano-base 2024), 16.729 gabrielenses são associados a alguma cooperativa, o que representa 48,8% da população do município, estimada em 34.272 pessoas, de acordo com IBGE.

A história do município, emancipado em 14 de maio de 1963, se entrelaça com a história da sua cooperativa mais antiga: a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha, fundada em 13 de setembro do mesmo ano. Considerada a maior cooperativa de café conilon do Brasil, a Cooabriel impulsiona a economia cafeeira local e contribui para que o município seja reconhecido como a capital nacional do café conilon.

E apesar das altas temperaturas, o clima predominante em São Gabriel da Palha é o clima de cooperação! As coops que atuam por lá trabalham de forma conjunta para promover o desenvolvimento social e econômico da comunidade. Elas possuem, inclusive, um comitê de intercooperação para a realização de ações do Dia de Cooperar, a rede de solidariedade e voluntariado do cooperativismo brasileiro.

Para fomentar e promover um ambiente ainda mais favorável para o crescimento e desenvolvimento do cooperativismo na cidade, São Gabriel da Palha conta com uma política municipal do cooperativismo, sancionada em 2023. Além de garantir que as coops tenham um tratamento adequado, a lei prevê que a administração pública apoie tecnicamente, financeiramente e operacionalmente o modelo de negócio, inclusive por meio do estímulo do estudo do cooperativismo nas instituições de ensino.