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Espírito Santo

Descomplicando o coop: entenda o princípio da adesão livre e voluntária

Descubra se qualquer pessoa pode fazer parte de uma cooperativa e como esse modelo de negócio promove a inclusão e a diversidade


27/02/2025 09:06 - Por Emilly Rocha
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Pessoas em círculo sorrindo e estendendo as mãos para frente, unidas umas às outras
Foto: Adobe Stock

O cooperativismo é para todos. Essa é a premissa do primeiro dos sete princípios que regem o modelo de negócio, o Adesão Livre e Voluntária. Ele afirma que as cooperativas são abertas para todos as pessoas que queiram participar delas, desde que estejam alinhadas aos seus objetivos econômicos e dispostas a assumirem suas responsabilidades como membros. Não existe qualquer discriminação por sexo, raça, classe, crença ou ideologia.

Além de ser um princípio estabelecido do modelo de negócio, a adesão livre e voluntária a uma coop também está garantida na Constituição Federal de 1988 como um dos direitos e garantias fundamentais dos indivíduos. O inciso XVIII do artigo 5º do documento prevê que a criação e associação a cooperativas, na forma da lei, independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento.

Ainda tem dúvidas sobre esse princípio? Fique até o final deste artigo que vamos explicar todo os detalhes.

Alinhamento de objetivos

Mãos de quatro pessoas estendidas ao centro da imagem, segurando uma peça de quebra-cabeça com um alvo desenhado. Ao fundo da foto, um gramado verde
Foto: Adobe Stock

Uma cooperativa é formada por pessoas que se unem para alcançar objetivos econômicos em comum e para suprir suas necessidades financeiras, sociais e culturais por meio da cooperação.

Mas o que seriam esses objetivos econômicos em comum? Suponhamos que um produtor rural trabalha em sua propriedade com o cultivo de pimenta-do-reino. Isolado, esse agricultor não consegue comprar insumos para adubar a cultura, não tem espaço para armazenagem e não consegue vender a especiaria em grande escala.

O objetivo desse agricultor é aprimorar a sua produção e aumentar as suas vendas. Então, ele decide voluntariamente se associar a uma cooperativa agropecuária da região, formada por outros agricultores que possuem esse mesmo objetivo. Ele não foi obrigado a participar dessa cooperativa, mas, sabendo dos benefícios que ganharia ao participar dela, escolheu se tornar um cooperado.

Agora imagine que esse mesmo agricultor quer se tornar cooperado de uma cooperativa que presta serviços de transporte escolar. No entanto, ele não tem uma van e tampouco possui carteira de habilitação. Quando ele contata a cooperativa de transporte descobre que não está alinhado aos objetivos econômicos do negócio e, por isso, sua participação é inviável.

Responsabilidades dos membros

Agora é hora de falar dos compromissos de cada cooperado. Por mais que a entrada nas cooperativas seja livre desde que exista o alinhamento de objetivos econômicos, a participação nelas não é isenta de responsabilidades. Ao entrar para o quadro de associados de uma cooperativa, o indivíduo passa a ter uma série de direitos e deveres.

Um dos principais deveres do cooperado é respeitar o estatuto social da cooperativa. Esse documento guia todas as atividades da coop. Ele estabelece os direitos e deveres dos cooperados e o conjunto de regras e diretrizes que orientam a condução das atividades desenvolvidas. Sendo assim, o estatuto social é um documento de consulta essencial para todos associados. 

Outro dever (e direito) do cooperado é participar da tomada de decisões dentro da cooperativa. Isso se dá por meio da presença em assembleias gerais, podendo o cooperado votar nas pautas apresentadas e se candidatar a cargos nos Conselhos Administrativo e Fiscal ou até mesmo na diretoria da coop.

O coop é para todos 

Pessoas de idades gênero diferentes, uma cadeirante e uma pessoa negra reunidas em torno de uma mesa em um ambiente de escritório
Foto: Adobe Stock

Já deu para entender que o cooperativismo é para todos, não é mesmo? Mas isso não é tudo. Mais do que abrir as portas para as pessoas sem qualquer tipo de preconceito ou julgamento, as cooperativas se empenham em construir uma cultura organizacional inclusiva para receber pessoas com diferentes visões de mundo.

Jovem ou idoso, homem ou mulher, branco ou negro, heterossexual ou da comunidade LGBTQIAP+, todos são bem-vindos e acolhidos no cooperativismo. Portanto, esse é um ambiente seguro para a diversidade, e existem vários os programas voltados para a promoção da inclusão, diversidade e equidade dentro das coops. Abaixo, confira algumas iniciativas desenvolvidos pelo Sistema OCB, a organização que representa e defende o coop no Brasil.

Guia sobre inclusão, diversidade e equidade no coop

O Guia de Implantação de Estratégias em Inclusão, Diversidade e Equidade destaca a importância da promoção da diversidade dentro das cooperativas. O material explica o significado de termos alinhados a essa temática e dá dicas de boas práticas nesse âmbito.

O principal capítulo do documento apresenta e detalha o passo-a-passo para abordagem das pautas de inclusão, diversidade e equidade dentro da cooperativa, desde o momento de firmar um compromisso com a pauta até as etapas de formalização de um projeto: diagnóstico, governança, metas, indicadores e planejamento estratégico.

Programa Futuras Lideranças

Além de abrir as postas para a sociedade, é importante que o coop prepare as pessoas que desejam ocupar cargos de liderança nesse modelo de negócio. O Programa Futuras Lideranças surgiu para atender essa necessidade e trabalhar temas como a promoção de lideranças femininas, o estímulo às lideranças jovens, a inclusão de grupos minoritários e a sucessão nas cooperativas.

A jornada de capacitação é composta por cinco módulos e busca fortalecer o crescimento de grupos diversos e construir um futuro com mais diversidade e inclusão.

A iniciativa foi desenvolvida pelo Sistema OCB e, no Espírito Santo, está sendo aplicada pelo Sistema OCB/ES, a primeira organização estadual a implementar o programa. A turma piloto possui 54 alunos: 40 estão sendo preparados para assumirem cargos de liderança e 14 já são líderes, sendo o papel destes auxiliar na evolução dos aspirantes. Os selecionados representam 23 coops capixabas de 43 municípios distintos.

Comitês de mulheres e jovens 

Os comitês são espaços de debate que funcionam para dar espaço a novas vozes e fortalecer as pautas de grupos específicos dentro do cooperativismo. Quando o assunto é diversidade, o coop possui dois comitês nacionais: o Elas Pelo Coop e o Geração C.

 O Elas Pelo Coop é um comitê de mulheres composto por 25 integrantes de 20 estados. O grupo discute ações práticas de fortalecimento da participação feminina no coop e destaca a importância do protagonismo feminino dentro do modelo de negócio.

Já o geração C é um comitê de jovens formado por 18 participantes de 15 estados.  O grupo debate formas de aumentar a presença dos jovens dentro do movimento cooperativista e inspira as novas gerações a darem continuidade aos valores e princípios do cooperativismo.

No Espírito Santo existe um comitê estadual de mulheres recém-constituído, o Elas pelo Coop ES. O grupo foi formado no segundo semestre de 2024 e conta com 40 integrantes que representam 28 cooperativas capixabas. O comitê tem como propósito desenvolver ações que visam aumentar a participação das mulheres no coop capixaba e estimular que elas ocupem cargos de liderança nesse ambiente.

 

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Fonte: Sistema OCB/ES

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