Existe um jeito de empreender que não seja sozinho e de obter renda a partir da oferta direta dos seus serviços? A resposta é o cooperativismo. Esse modelo econômico permite que pessoas se juntem para trabalhar alinhadas a um mesmo propósito e busquem novas perspectivas de trabalho, mais vantajosas e dignas.
Enquanto o mercado tradicional tende a excluir ou precarizar o trabalho de alguns grupos sociais, como os de baixa, com baixa ou nenhuma escolaridade ou que pertencem a minorias étnicas, as cooperativas abrem as portas para esse público. No Brasil, essa inclusão é fomentada mais intensamente pelas cooperativas de Trabalho, Produção de Bens e Serviços.
Leia o nosso artigo até o final se você quer conhecer mais sobre como essas cooperativas funcionam e os benefícios que elas geram.
O que é uma cooperativa de Trabalho, Produção de Bens e Serviços?
As cooperativas estão agrupadas em oito ramos econômicos no Brasil, e um deles é o Trabalho, Produção de Bens e Serviços. O modelo e negócio cooperativista é responsável por melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida de milhares de profissionais com perfil empreendedor e que preferem trabalhar de forma colaborativa e autônoma.
Quando profissionais de uma mesma categoria se juntam para trabalhar com foco em objetivos comuns, organizados em uma cooperativa, é mais fácil obter renda, acesso ao mercado e garantir direitos sociais. Portanto, essa é uma forma eficaz de combater a precarização do trabalho.
Alguns dos profissionais que fazem parte de coops de Trabalho, Produção de Bens e Serviços são professores, mineiros, artesãos, enfermeiros, catadores, engenheiros, entre outros. O modelo econômico ainda beneficia grupos historicamente marginalizados, como quilombolas, Pessoas com Deficiência (PCDs), mulheres e pessoas com escolaridade baixa ou sem escolaridade.
Como as cooperativas desse ramo funcionam?
As cooperativas de Trabalho, Produção de Bens e Serviços podem tanto prestar serviços especializados a terceiros quanto produzir bens em comum. Em ambos os casos, os cooperados não são meros prestadores de serviços ou fornecedores, mas sim donos do negócio e dotados de direitos e deveres que garantem a igualdade e o crescimento coletivo.
Isso é garantido pela Lei 5.764/71, que estabelece as diretrizes gerais do funcionamento do cooperativismo no Brasil, bem como pela Lei 12.690/12, criada para atender necessidades e estabelecer regras específicas para as coops de trabalho.
Ambas as leis fazem referência, seja de forma direta ou indireta, aos sete princípios do cooperativismo. Algumas dessas diretrizes são a gestão democrática e a participação econômica dos cooperados na cooperativa, assegurando que todos tenham acesso aos mesmos direitos e que obtenham uma renda justa.
A adesão livre e voluntária é outro pilar das cooperativas, o que permite que qualquer pessoa faça parte do negócio, desde que esteja alinhada aos seus objetivos econômicos, e veda discriminações baseadas em classe social, raça, gênero, ideologia política ou crença religiosa.
As coops ainda se diferenciam por serem independentes e autônomas, investirem na educação do seu quadro social, colaborarem com outras cooperativas (prática que leva o nome de intercooperação) e por contribuírem com o desenvolvimento social e econômico sustentável das comunidades.
Qual é o impacto das cooperativas de Trabalho, Produção de Bens e Serviços?
Existem 597 cooperativas de Trabalho, Produção de Bens e Serviços em atuação no Brasil. Elas reúnem 187,2 mil cooperados e geram 8,2 mil empregos diretos. Presentes nas 27 unidades federativas do país, em 2024 elas alcançaram R$ 2,5 bilhões em ativos, R$ 4,8 bilhões em ingressos e R$ 191,1 milhões em capital social.
Os dados são do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025. A publicação ainda revela o impacto social das cooperativas desse ramo. Seus colaboradores receberam R$ 310,2 milhões em salários e outras remunerações em 2024, contemplando profissionais de diferentes categorias.
As cooperativas atuam em segmentos como a educação (18,6%); gestão de resíduos (17,8%); extração e comercialização de minerais (11,4%); consultoria e instrutoria (11,1%); manutenção, conservação e segurança (7%); produção artesanal (4%); cultura e lazer (5%); assistência técnica (5%); produção artesanal (4%); confecção (3%); produção industrial (2%); tecnologia e inovação (1,8%); áreas sociais (0,8%); entre outros serviços (18%).
Além de fomentar o trabalho justo e colaborativo, o modelo de negócio também contribui com a promoção da sustentabilidade. As cooperativas e associações de catadores, por exemplo, atuam em mais de 1.700 municípios brasileiros e reciclaram 1,7 milhões de toneladas de resíduos. As informações são do Anuário da Reciclagem de 2024.
Impacto das cooperativas de trabalho no Brasil*
- 597 cooperativas
- 187,2 mil cooperados
- 8,2 mil empregados
- R$ 2,5 bilhões em ativos
- R$ 4,8 bilhões em ingressos
- R$ 310,2 milhões pagos em salários e outros benefícios
- R$ 191,1 milhões em capital social
*Dados de 2024, extraídos do Anuário do Cooperativismo Capixaba 2025
Os benefícios também são notáveis nos estados. No Espírito Santo, as cinco cooperativas desse ramo registradas no Sistema OCB/ES contam com 199 cooperados e empregam 60 colaboradores. É o que aponta o Anuário do Cooperativismo Capixaba 2025, com dados de 2024.
Naquele ano, elas movimentaram R$ 13,5 milhões, recolheram R$ 1,4 milhão em tributos e pagaram R$ 2,6 milhões em salários e outras remunerações para os seus empregados. Os ativos do ramo totalizaram R$ 7,6 milhões, um crescimento acumulado de 49% desde 2022.
Investir na profissionalização do seu quadro social e na responsabilidade social é uma bora prática dessas coops. Em 2024, elas destinaram R$ 15,5 mil para capacitações e treinamentos e R$ 11 mil em doações e apoios a programas e projetos sociais.
Impacto das cooperativas de trabalho no Espírito Santo*
- 5 cooperativas
- 199 cooperados
- 60 empregados
- 13 municípios contam com a presença de coops do ramo
- R$ 13,5 milhões de faturamento
- R$ 2,6 milhões pagos em salários e outras remunerações
- R$ 1,4 milhão recolhidos em tributos
*Dados de 2024, extraídos do Anuário do Cooperativismo Capixaba 2025
Como entrar em uma cooperativa de trabalho?
Se você quer fazer parte de uma cooperativa de Trabalho, Produção de Bens e Serviços, é necessário que os seus objetivos econômicos estejam alinhados ao negócio e que você se comprometa com seus deveres enquanto cooperado. Não há discriminação de qualquer tipo.
Portanto, basta procurar por uma cooperativa do ramo que seja de seu interesse e que atenda às suas necessidades. Se estiver tudo certo, é hora de entrar em contato com a coop, reunir a documentação solicitada e pedir para se tornar um cooperado, por meio da integralização do capital social.
Caso queira saber mais detalhes sobre esse processo de escolha, acesse o nosso artigo que explica como fazer parte de uma cooperativa. No caso das cooperativas de trabalho, também vale a pena verificar se ela adota boas práticas. Na nossa cartilha “Conformidade nas contratações de cooperativas de trabalho” você descobre como identificar uma coop legítima.
Confira mais conteúdos da série Descomplicando o Coop.
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sistema ocbes descomplicando o coopFonte: Sistema OCB/ES