A economia digital tem
pressionado mais fortemente as organizações a buscar inovação. Não apenas mais
e mais companhias têm se esforçado por dinamizar seus processos e produtos de
maneira disruptiva, mas também os profissionais têm tentado desenvolver competências
e habilidades para darem conta das novas demandas.
Em muitos casos, essa busca tem
ocorrido de maneira combinada, com investimentos diretos das organizações e
cooperativas na capacitação de suas equipes de inovação.
Isso porque muitas organizações
consideram que suas equipes ainda não estão prontas para navegarem pelos novos
cenários. O relatório Global Human Capital Trends 2021, produzido pela Deloitte,
mostrou que apenas 17% dos 3.760 executivos ouvidos na pesquisa descreveram
seus colaboradores como detentores da capacidade de se adaptar, requalificar e
assumir novas funções.
O estudo Talent Trends Report 2021, da consultoria de recursos
humanos Randstad, apontou que 58% dos líderes de capital humano ouvidos no
Brasil relataram que a escassez de talentos impactou negativamente sua
organização.
É por isso que as organizações e
cooperativas mais comprometidas com a busca pela inovação têm priorizado a
capacitação e os investimentos em talentos. De acordo com o anuário Valor Inovação Brasil 2020, 98% dos entrevistados
responderam que concordam plena ou parcialmente que desenvolver as
“competências do futuro” é uma prioridade para suas organizações.
Essa visão já tem gerado frutos
na prática. Três em cada quatro organizações analisadas no levantamento
investiram mais do que 5% do faturamento líquido anual em desenvolvimento de
pessoal, totalizando R$ 30 bilhões em um ano.
Mais do que adotar medidas
pontuais de treinamento e requalificação, as companhias têm procurado implantar
uma verdadeira cultura de aprendizagem, em que se combinam jornadas
tradicionais de formação, como cursos e treinamentos, e métodos novos, como
ferramentas de modelagem comportamental.
A ideia central é estabelecer
rotinas em que os próprios colaboradores entendam que é preciso aprender de maneira contínua, seguindo a tendência
do Lifelong Learning – termo em inglês para educação continuada ou aprendizado
constante. Aliás, este assunto foi tratado aqui no InovaCoop pela especialista
em inovação, Martha Gabriel, que listou 20 livros essenciais para inovar.
E mais do que buscar ter
respostas certas para tudo, o profissional precisa fazer as perguntas certas –
que questionem conceitos aparentemente imutáveis e sejam capazes de levar a
rupturas e, consequentemente, inovações.
HABILIDADES E COMPETÊNCIAS DO
FUTURO
As transformações digitais
requerem não apenas conhecimentos técnicos ou domínio de tecnologias
disruptivas, mas também um conjunto de comportamentos e atitudes, como resiliência,
pensamento e análise crítica e aprendizagem ativa e estratégias de
aprendizagem.
As habilidades comportamentais –
ou soft skills – mais requeridas hoje também têm relação com a cultura de
experimentação estimulada pelo uso de estratégias de gestão de projetos, como Scrum e Kanban.
Tais metodologias dividem os
colaboradores em equipes multifuncionais responsáveis pelo gerenciamento
inovador de projetos, o que exige capacidade de trabalhar em equipe, saber
escutar e defender uma opinião de forma clara e precisa.
O InovaCoop oferece cursos e ferramentas on-line
para treinar equipes de acordo com as demandas da transformação digital.
Contamos com cursos de natureza mais conceitual, como os módulos de Inovação e
Transformação Digital; com cursos relacionados a soft skills, como Mentalidade
Ágil; e cursos de treinamento técnico, como o de Apresentações
Poderosas.
Equipes de inovação
frequentemente apresentam habilidades e competências relacionadas a todos esses
itens. Do ponto de vista técnico, o profissional de inovação sabe manipular e
analisar enormes quantidades de dados; conhece um pouco de machine learning,
software em nuvem e segurança cibernética; e analisa e reconhece os rumos da
inovação tecnológica continuamente.
Do ponto de vista das soft
skills, é uma pessoa flexível, resiliente e sempre pronta a aprender. Trabalha
bem em equipe e sabe se comunicar com os outros membros do time.
Para completar, uma equipe de
inovação deve necessariamente dominar metodologias de trabalho ágil para a
gestão eficaz de projetos, como Design Thinking. Vale ressaltar também que o InovaCoop
publicou recentemente três guias práticos para apoiar equipes de inovação no
processo de aprendizagem contínua:
No Guia Prático: Inovação com DNA cooperativista, são
apresentados os conceitos básicos e os passos para a implementação de
parâmetros e métodos de trabalho que favoreçam a inovação em uma cooperativa.
No Guia Prático: Metodologias de Inovação, são apresentadas as
metodologias que norteiam o processo de inovação em uma organização.
Por fim, o Guia Prático: Ferramentas para mapear oportunidades,
apresenta as ferramentas para identificar oportunidades de inovação em sua
organização, esclarecendo quais são as mais adequadas em cada etapa do
processo.
CONHECIMENTO E AUTOAPRENDIZAGEM
Há inúmeras formas de incentivar
uma cultura de aprendizagem voltada à inovação dentro de uma cooperativa. De
fato, a maior parte das organizações têm combinado diferentes alternativas, de
modo que os próprios colaboradores, com o tempo, também procurem seus próprios
caminhos.
De maneira geral, grandes
organizações têm criado programas estruturados de desenvolvimento de
competências, baseados em um modelo híbrido. Por um lado, têm surgido as
academias internas de conhecimento, que unem a educação formal (como os cursos
de MBA, por exemplo) à modelagem comportamental, ao aprendizado baseado na
solução de problemas e a palestras e eventos técnicos.
De acordo com o anuário do Valor,
a B2W Digital é uma das empresas atualmente vivenciando essa transição. A companhia
implementou uma Academia de Dados, que funciona como uma escola interna para o
desenvolvimento de competências relacionadas à análise de dados. Os
funcionários da área foram capacitados por uma empresa parceira para
estruturarem e ministrarem o curso. Os conteúdos incluem alfabetização de
dados, estatística e análise e até storytelling.
Na 3M, de acordo com informações
publicadas no Valor, foi criada uma plataforma chamada Develop You, em que
colaboradores de diferentes áreas têm acesso a treinamentos em múltiplos
idiomas. A seleção dos cursos adequados a cada funcionário é determinada de
acordo com seu plano customizado de desenvolvimento de carreira. Um mega fórum
de 11.000 colaboradores da empresa permite a troca contínua de conhecimento em
grupos temáticos.
Na Algar Tech, existe desde 2018
o programa Dê Asas à sua Carreira. A ideia é capacitar colaboradores para os
novos papéis que surgirão no mercado de trabalho nos próximos anos. Formações
específicas, como metodologia ágil e curadoria para robôs e chatbots, são
oferecidas como parte da plataforma.
Em 2019, a PwC Brasil criou um
programa de ampliação da proficiência digital de todos os seus funcionários no
mundo. Batizado de Digital Upskilling, o programa dá acesso à formação em temas
relacionados à economia digital, como automação e IA.
A companhia também criou o
Digital Lab, onde se desenvolvem soluções e automações. A organização espera
que todos seus colaboradores consigam compreender e saibam utilizar design
thinking, inteligência artificial, data analytics e automação.
SOLUÇÕES POPULARES
De acordo com o Valor, apenas 38%
das organizações entrevistadas afirmaram que suas Academias Internas de
Conhecimento já estão operando. A maioria (45%) está na fase de estudo e
planejamento, enquanto 37% estão na etapa de customização dos projetos.
Como muitos profissionais já
sentem a necessidade premente de adquirir novas habilidades e também como
resultado da pandemia, cresceu muito o número de visitas a grandes plataformas de
cursos on-line, como Coursera
e Udemy.
Nesses portais, é possível se
inscrever em cursos completamente on-line ministrados por grandes
especialistas. Os cursos mais procurados têm, via de regra, relação com os
temas da transformação digital.
No caso da Coursera, aparecem
entre os módulos mais procurados pelos usuários Ciência de Dados, Deep
Learning, Programação para todos e Machine Learning.
A Udemy divulgou em 2020 que
entre seus cursos mais procurados estavam Redes Neurais, Chatbot e Tensorflow
(biblioteca de Deep Learning para inteligência artificial).
Grandes instituições
internacionais, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e o
Singularity Group, também oferecem cursos on-line sobre inovação com curta
duração. No Brasil, há cursos sobre inovação nos sites do Sebrae, Endeavor,
Fundação Bradesco, entre outros.
GESTÃO DO CONHECIMENTO E
COMPARTILHAMENTO
Os programas de aprendizagem
contínua, sobretudo aqueles que não se relacionam com estruturas mais formais
de treinamento, baseiam-se grandemente nas trocas entre os colaboradores de
áreas diferentes, muitas vezes formalizadas em mentoria ou coaching, por
exemplo.
O Digital Lab, da PwC, trabalha
com o conceito de reverse mentoring. Profissionais técnicos, mais jovens, são
mentores de funcionários mais experientes. A ideia é que os jovens transmitam
seu conhecimento tecnológico para profissionais mais antigos, incluindo
gestores da empresa, ao mesmo tempo que ganham experiência pela convivência com
eles.
O compartilhamento contínuo de
conhecimentos também está na base das equipes compostas por profissionais com
diferentes formações e expertises. Se alguns dos membros têm mais conhecimento
gerencial e menos conhecimento tecnológico, o esperado é que, pela própria
interação de todos na solução conjunta de problemas, em algum tempo todos
estejam em nível semelhante de domínio de determinadas tecnologias e métodos.
A metodologia de trabalho, aliás,
é a palavra-chave nesse processo. As metodologias não apenas devem orientar o
trabalho de maneira racional, incentivando todos os membros a manifestarem suas
opiniões com clareza e embasamento, como também devem favorecer a troca
constante de conceitos.
A gestão do conhecimento também
envolve parcerias com outras cooperativas, com instituições acadêmicas, organizações
não-governamentais e consultorias. Em geral, entidades desses tipos funcionam
como parceiras no compartilhamento de pesquisas científicas.
Têm sido comuns as parcerias de
organizações comprometidas com a inovação com companhias estrangeiras ou centros
de pesquisa, que acabam dando insumos para o estabelecimento de programas
internos de formação.
Entretanto, muitas organizações
nacionais também têm sido procuradas por possíveis parceiros para compartilhar
com eles seu know-how em inovação. O modelo de gestão do conhecimento adotado
pela cooperativa vai determinar responsabilidades e deveres de parte a parte,
além dos limites ao futuro compartilhamento de resultados.
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inovação dicas inovacoopFonte: InovaCoop - Sistema OCB