O cooperativismo como modelo capaz de gerar desenvolvimento econômico, inclusão social e transformação territorial foi o tema central da palestra da presidente executiva do Sistema OCB Nacional, Tania Zanella, realizada no dia 7 de maio durante o evento ES Coop para o Futuro. A ação foi promovida pelo Sistema OCB/ES com apoio do Sebrae/ES, em Domingos Martins, no Espírito Santo.
Em 2025, Zanella se tornou a primeira mulher a assumir a presidência executiva da instituição. Em 2026, foi reconhecida como uma das 16 mulheres mais poderosas do Brasil. Logo na abertura, ela destacou a responsabilidade de assumir a liderança nacional do cooperativismo e reforçou o papel das organizações cooperativas na geração de impacto concreto na vida das pessoas.
“Assumo o compromisso de honrar essa missão em todos os sentidos, para que vocês continuem fazendo o que fazem de melhor, que é esse cooperativismo que tem transformado vidas”, afirmou. A dirigente também apresentou dados, estratégias e desafios para fortalecer o movimento cooperativista no país. Confira os destaques a seguir!
Força econômica e presença territorial
Durante a apresentação, a liderança detalhou a dimensão do cooperativismo no Brasil e no mundo. Globalmente, o setor reúne 3 milhões de cooperativas, 1 bilhão de cooperados e gera 280 milhões de empregos. De acordo com a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), se as 300 maiores cooperativas fossem um país, elas representariam a oitava maior economia do mundo.
No Brasil, o movimento já reúne 25,8 milhões de cooperados, o equivalente a 12% da população, e registrou R$ 757,9 bilhões em ingressos em 2024. Além disso, as cooperativas estão presentes em mais de 3,5 mil municípios, com forte atuação em regiões fora dos grandes centros. Os dados são da edição mais recente do Anuário do Cooperativismo Brasileiro.
“Nosso diferencial é estar na base, onde muitas vezes outros modelos não chegam. É ali que a cooperativa leva oportunidade, renda e desenvolvimento”, destacou Zanella.
Impacto social comprovado
Um dos pontos centrais da palestra foi a apresentação de evidências sobre o impacto do cooperativismo nos territórios. Dados demonstram que municípios com presença de cooperativas registram desempenho superior em indicadores socioeconômicos.
Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, essas localidades registram aumento médio de R$ 5,1 mil no PIB per capita, além de mais empregos formais e melhor desempenho na balança comercial. Outro destaque é a redução da dependência de programas sociais.
“Onde há uma cooperativa, o acesso ao Cadastro Único e aos programas sociais diminui de 15% a 20%. Isso significa mais renda, mais dignidade e mais trabalho para as pessoas”, ressaltou.
Espírito Santo como referência
Zanella também destacou o papel do Espírito Santo como referência nacional. O estado reúne 967 mil cooperados e movimentou R$ 16,9 bilhões em 2024, além de apresentar um crescimento consistente e alta organização institucional, na visão da palestrante.
“O desempenho capixaba se destaca ainda pela forte atuação do Sistema OCB/ES, com avanços na regularização de cooperativas, qualificação e governança, além de presença estratégica em conselhos e políticas públicas”, frisou.
Representação política e desafios regulatórios
Outro eixo relevante da palestra foi a importância da representação institucional. Zanella destacou que o cooperativismo precisa atuar de forma ativa na construção de políticas públicas e na defesa de seus interesses.
Segundo ela, o ambiente regulatório é um dos principais fatores que impactam o setor. “A gente não tem o direito de não ocupar os espaços. Precisamos levar nossas demandas e garantir condições para que o cooperativismo continue crescendo”, afirmou.
A executiva citou como exemplo a atuação do Sistema OCB Nacional na defesa do cooperativismo durante a construção do texto da Reforma Tributária, considerada um dos principais casos de mobilização do setor, com intensa articulação junto ao Congresso Nacional.
A palestrante também abordou as prioridades institucionais do Sistema OCB Nacional para 2026 e os anos seguintes, que incluem temas como crédito e seguro rural, participação em políticas públicas, regulamentação de leis e fortalecimento da atuação política. A estratégia está condensada na Agenda Institucional do Cooperativismo, que reúne as pautas consideradas prioritárias pelo setor.
Nesse contexto, Zanella reforçou o papel da mobilização dos próprios cooperativistas. “Somos nós que temos a responsabilidade de fazer a diferença. O cooperativismo precisa estar engajado e participar das decisões que impactam o país”, afirmou.
Desafios para o futuro
Apesar do cenário positivo, Zanella alertou para desafios estruturais. Entre eles, o fortalecimento da cultura cooperativista, a melhoria da gestão e o acesso a recursos, apontados como gargalos para o crescimento do movimento.
Ela também destacou a necessidade de ampliar o reconhecimento do modelo cooperativista pela sociedade e de investir em comunicação e educação.
“O cooperativismo já transforma realidades, mas ainda precisa ser mais conhecido. Precisamos furar a bolha e mostrar esse modelo para quem ainda não vive essa experiência”, disse.
Coop como escolha consciente
Encerrando a apresentação, a dirigente destacou a importância da comunicação e da campanha “Escolha o Coop”, que busca ampliar o reconhecimento do modelo de negócio pela sociedade.
A estratégia aposta em mostrar histórias reais e evidenciar o impacto das cooperativas na vida das pessoas, reforçando o cooperativismo como uma escolha consciente.
Com isso, Zanella reiterou a visão de futuro do movimento: consolidar o cooperativismo como protagonista na construção de uma economia mais inclusiva, sustentável e competitiva.
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sistema ocbes es coop para o futuriFonte: Sistema OCB/ES