Julho chegou e, com ele, as férias escolares, quando milhares de famílias aproveitam para viajar ou realizar passeios. O período segue como o de maior movimentação do turismo nacional. Um levantamento da Decolar aponta crescimento de 40% na procura por hospedagens para o período, na comparação com o ano passado, evidenciando que mais brasileiros pretendem viajar durante o recesso escolar.
Mas enquanto o descanso dura poucos dias, as dívidas geradas por gastos sem planejamento podem acompanhar o orçamento por muitos meses.
Inadimplência em alta
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 81,6% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, o maior percentual da série histórica. Além disso, quase três em cada dez famílias (29,9%) têm contas em atraso. Nesse cenário, despesas sazonais, como as viagens de férias, exigem ainda mais planejamento para evitar que momentos de lazer comprometam o orçamento dos próximos meses.
Segundo o educador financeiro da Sicredi Serrana, Creiciano Paiva, o erro mais comum é tratar a viagem como um gasto excepcional, sem incluí-la no planejamento financeiro anual.
"Viajar é um investimento em qualidade de vida e convivência familiar, mas isso não significa renunciar à responsabilidade financeira. Quando a viagem é feita sem planejamento, ela deixa de ser um momento de descanso e se transforma em uma fonte de preocupação na volta para casa", afirma.
O especialista explica que um dos principais equívocos é recorrer ao parcelamento sem avaliar o impacto das parcelas no orçamento dos meses seguintes.
Avalie seu orçamento
"Antes de decidir pelo destino, a família precisa definir quanto realmente pode gastar. É melhor adaptar a viagem ao orçamento do que adaptar o orçamento às dívidas depois das férias. Muitas pessoas olham apenas para o valor da parcela e esquecem que ela vai competir com outras despesas fixas que continuam chegando normalmente”, avalia o educador.
Outra orientação é elaborar um custo completo da viagem, incluindo despesas que costumam ser esquecidas, como alimentação, pedágios, transporte por aplicativo, estacionamento, ingressos e compras de última hora.
"O custo da hospedagem e das passagens normalmente recebe toda a atenção, mas são os pequenos gastos do dia a dia que acabam estourando o orçamento. Ter uma reserva específica para essas despesas evita surpresas desagradáveis”, pontua.
Para quem não conseguiu se organizar com antecedência, Paiva recomenda buscar alternativas mais econômicas, como destinos próximos, viagens de curta duração e passeios na própria região.
"As férias não precisam ser sinônimo de grandes viagens. O mais importante é proporcionar momentos de lazer sem colocar em risco a saúde financeira da família. Aproveitar atrações locais ou reduzir alguns dias de viagem pode fazer toda a diferença no orçamento”, diz.
O educador financeiro também lembra que julho marca a metade do ano, sendo um bom momento para revisar as finanças antes das despesas tradicionais do segundo semestre, como Dia das Crianças, Black Friday, Natal, impostos e material escolar do ano seguinte.
"As decisões tomadas agora impactam diretamente o restante do ano. Quem volta das férias com dívidas terá menos capacidade para lidar com os compromissos financeiros que ainda estão por vir. Planejamento é o que permite aproveitar o presente sem comprometer o futuro”, finaliza.