
As
fusões e incorporações são ações que podem ser adotadas pelas sociedades
cooperativas, de maneira estratégica, como uma forma de enfrentamento da crise,
fortalecimento de mercado, com foco em aspectos voltados à escala, melhoria de
receitas, redução de cursos fixos/operacionais e variáveis, levando melhores
condições e resultados para seus cooperados.
Com
o objetivo de esclarecer os principais pontos que diferenciam as fusões das
incorporações, o Sistema OCB/ES preparou um compilado de informações que podem
ser usadas pelas cooperativas que desejam conhecer melhor sobre esses
procedimentos.
FUSÕES
Em
sociedades cooperativas, fusão é a reorganização de capitais visando à
concentração das participações das mesmas no mercado, pela união de duas ou
mais cooperativas, formando uma nova sociedade que lhe sucederá em direitos e
obrigações, extinguindo as cooperativas fundidas, mas não as dissolvendo
em razão da sucessão dos direitos e das obrigações pela nova sociedade.
As
fusões podem ser classificadas como horizontais, verticais, concêntricas e
conglomerados. Uma fusão horizontal é aquela que acontece entre duas
cooperativas da mesma linha de negócios, podendo também ocorrer por meio de
incorporação. Essa última opção, entretanto, está mais relacionada à realidade
das cooperativas de transporte.
Uma
fusão vertical envolve cooperativas em diferentes estágios de produção, em que
o comprador se expande em direção à fonte de matérias-primas e de serviços, ou
em direção ao consumidor final.
As
fusões concêntricas são as efetuadas entre cooperativas que produzem bens ou
serviços pouco similares, mas que mesmo assim apresentam alguma sinergia. Já a
fusão do tipo conglomerado envolve empresas com linhas de negócios não
relacionados.
INCORPORAÇÕES
No
caso das incorporações societárias, uma cooperativa denominada incorporadora
absorve outra sociedade denominada incorporada. Neste sentido, a sociedade
incorporada deixa de existir, mas assim como na fusão, ela não se dissolve.
Neste caso, a cooperativa incorporadora assume a responsabilidade dos débitos
da incorporada. Os ativos das cooperativas são somados e o passivo da
incorporada assumido pela incorporadora.
Atualmente,
uma das principais motivações para que ocorram processos de fusão ou a
incorporação, está na competitividade atual dos mercados, muito impulsionada
pela globalização mundial, por meio da redução das barreiras entre as economias
de países, estados e municípios, e a necessidade de se reinventar diante do
cenário de crise política, institucional e financeira pelo qual o país está
passando.
De
acordo com o assessor de Relações Institucionais, David Duarte, e com o
analista de Mercado, Alexandre Ferreira, tanto as fusões quanto as
incorporações são atos que fazem parte do processo de desenvolvimento de uma
cooperativa no mercado.
“Quando duas ou mais cooperativas resolvem se juntar, é porque partem do princípio de que conseguirão porte e dinheiro para conquistar novos mercados, enfrentarão em maior escala poderosas concorrentes, diminuirão seus custos de produção e, por fim, usarão de uma mesma rede de atendimento interno e externo. Ou seja, quando esses processos são bem construídos e implementados, eles aceleram o crescimento das cooperativas nacionalmente e internacionalmente”, explica o assessor de Relações Institucionais, David Duarte.
VANTAGENS
E DESVANTAGENS
A
decisão de seguir por um desses dois caminhos também exige, por parte das
cooperativas, uma análise aprofundada das suas vantagens e desvantagens. O
Sistema OCB/ES separou alguns pontos que podem auxiliar nessa tomada de
decisão.
Vantagens
1. Expansão da área de atuação;
2. Expansão das operações e das receitas;
3. Diversificação do risco, pois o foco passa a ser em mais de um mercado;
4. Redução de custos internos (contabilidade unificada, estruturas mais coesas e enxutas, diminuição de extinção de cargos etc...), decorrentes de economias de escala;
5. Maior possibilidade de diversificar portfólio de serviços;
6. Maior profissionalização da gestão;
7. Maior sustentabilidade financeira;
8. Redução do custo das operações e serviços ofertados pela cooperativa;
9. Agregação de valor e credibilidade ao cooperativismo de transporte;
10. Redução dos riscos inerentes ao desenvolvimento interno de novos projetos ou produtos ou à montagem de estabelecimentos próprios em novos segmentos de mercado;
11. Remoção de barreiras à entrada em novos mercados;
12. Garantia de novos canais de distribuições e utilização de bases já instaladas;
13. Obtenção de vantagens fiscais.
Desvantagens
1. Mudanças
nas relações sociais ou de influências;
2. Perda
de benefícios não econômicos, mas intangíveis;
3. Possibilidade
de afastamento do associado do convício mais direto com a cooperativa, pois a
estrutura se expande.
Entre
os exemplos recentes de incorporação destacados pelo Sistema OCB/ES está o caso
da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi), que incorporou a Veneza
com o objetivo de obter resultados maiores. De acordo com o analista de Mercado
Alexandre Ferreira, essa meta está sendo alcançada.
“Os benefícios são tantos que os resultados aparecem na ponta, com maior poder de barganha, ganho de escala, economias nos custos fixos e variáveis gerando agregação de valor para seus cooperados. As cooperativas interessadas em entender um pouco mais sobre tudo isso podem procurar o Sistema OCB/ES, que conta com uma equipe qualificada para auxiliá-lo nesses processos”, disse.