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Espírito Santo

Trilhas personalizadas e uso de IA marcam nova fase da CapacitaCoop

Agenda em Florianópolis destacou novos recursos tecnológicos e experiências bem-sucedidas, como as trilhas desenvolvidas por cooperativas no Espírito Santo


06/05/2026 10:00 - Por Síntia Ott
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Workshop reuniu representantes de diversos estados. Foto: divulgação

Nos últimos dias 28 e 29 de abril, colaboradores do Sistema OCB/ES, de outras organizações estaduais e do Sistema OCB Nacional participaram de uma reunião técnica sobre a CapacitaCoop, o ambiente virtual de aprendizagem do cooperativismo brasileiro. A agenda ocorreu em Florianópolis, na sede da empresa DOT Digital Group, responsável por desenvolver e cuidar da manutenção da plataforma de ensino.

O Espírito Santo foi representado pelo coordenador de Desenvolvimento Humano e Social do Sistema OCB/ES, Marcos Passos, e pelo assistente técnico da coordenadoria, Yago Santiago. O objetivo do encontro foi apresentar melhorias que estão sendo testadas na CapacitaCoop e compartilhar boas práticas de promoção da plataforma adotadas pelas organizações estaduais.

“Foi um momento muito rico e interessante. Tivemos a oportunidade de trocar experiências com outras unidades estaduais, entender como a plataforma está sendo aplicada em diferentes contextos, levantar pontos de melhoria junto à Dot Group e apresentar como tem sido nossa atuação”, destaca Santiago.

A seguir, confira os pontos abordados.

Diagnóstico da plataforma

O primeiro dia do encontro foi dedicado à apresentação do panorama atual da CapacitaCoop, com dados de desempenho, resultados recentes e aspectos operacionais da gestão da plataforma.

Entre os destaques, foram apresentados números que apontam uma condução mais criteriosa da curadoria: 35 cursos foram desativados com base em critérios de engajamento, como volume de acessos e matrículas. Houve, ainda, uma redução de 6% no número de novos usuários entre 2024 e 2025.

De acordo com o Sistema OCB Nacional e a DOT Digital Group, os dados não indicam retrocesso, mas um diagnóstico que reforça o desafio de ampliar o alcance da plataforma mantendo a qualidade dos conteúdos ofertados.

Atualizações tecnológicas e impactos operacionais

Foto: divulgação

A programação técnica concentrou boa parte das discussões. Entre as novidades, foi apresentada a funcionalidade de verificação de presença em aulas ao vivo, em desenvolvimento pela DOT Digital Group. A previsão é implementar a nova função a partir de maio.

O recurso permitirá identificar o participante durante a sessão e aferir a frequência não apenas pelo acesso à sala virtual, mas também pela postura participativa, por meio de inteligência artificial e verificações automáticas, o que impacta a forma de emissão de certificados.

Outra atualização relevante diz respeito à integração entre a CapacitaCoop e o Zoom. Agora, a edição das reuniões pode ser feita diretamente pelo Zoom após a criação da aula na plataforma, com limitação de 300 usuários simultâneos por sala.

Já a navegação na plataforma ganhou melhorias na tela inicial, que passou a exibir, logo na primeira aba, os cursos mais recentes ou em andamento do usuário, facilitando o acesso e reduzindo dificuldades de usabilidade, especialmente para quem tem menos familiaridade com o ambiente digital.

Trilha 2.0: autonomia e personalização da aprendizagem

Um dos principais avanços apresentados foi a Trilha 2.0, que representa uma mudança estrutural no conceito de trilhas dentro da CapacitaCoop. Se antes elas eram compostas apenas pelo encadeamento de cursos já existentes no catálogo nacional, o novo modelo permite que as organizações estaduais construam percursos de aprendizagem completos e personalizados.

Com a Trilha 2.0, é possível combinar, em um único ambiente, cursos assíncronos da plataforma, aulas ao vivo integradas ao Zoom, materiais em PDF, documentos próprios, imagens e outros recursos produzidos pelas equipes locais, organizados em uma sequência pedagógica lógica. O modelo amplia a autonomia das organizações estaduais na curadoria e na construção de percursos formativos com começo, meio e fim, voltados a públicos específicos.

Ainda no campo da inovação, foi apresentado o conceito de tutoria por inteligência artificial. Em desenvolvimento, a funcionalidade deverá orientar os usuários por meio de um chat na própria plataforma, sugerindo trilhas e conteúdos personalizados de acordo com as necessidades identificadas.

Sub vitrine e estratégia de conteúdo

Claudia Moreno, coordenadora educacional do Sistema OCB Nacional, compartilhou os resultados e novidades da plataforma. Foto: divulgação

Outro tema debatido foi a proposta de uma sub vitrine. A funcionalidade prevê que, dentro da área da organização estadual, cada cooperativa possa ter seu próprio espaço para disponibilizar cursos síncronos voltados aos seus colaboradores. Essa possibilidade pode ampliar o uso da CapacitaCoop como acervo interno de capacitações.

O encontro também abordou as limitações do perfil de acesso dos gestores de cooperativas à plataforma, que hoje permite apenas visualizar dados e cadastrar usuários, sem autonomia para criar cursos ou trilhas.

No eixo de conteúdo, reafirmou-se a estratégia atual da plataforma, que mantém uma proporção aproximada de 80% de conteúdos cooperativistas e 20% voltados à comunidade em geral. A proposta do Sistema OCB/ES é ampliar a oferta de conteúdos com maior abrangência didática, capazes de dialogar com públicos externos e, ao mesmo tempo, difundir o cooperativismo de forma orgânica.

Claudia Moreno, coordenadora educacional do Sistema OCB Nacional, reforçou a importância de realizar diagnósticos contínuos junto às cooperativas para orientar a personalização das trilhas e alinhar esse processo à futura tutoria por chat.

Experiência do Espírito Santo e cases de engajamento

No encerramento do segundo dia, as organizações estaduais apresentaram suas experiências e resultados de 2025 com a CapacitaCoop. O coordenador de Desenvolvimento Humano e Social do Sistema OCB/ES, Marcos Passos, e o assistente técnico da instituição Yago Santiago apresentaram o modelo de Trilhas de Aprendizagem desenvolvido no Espírito Santo, partindo de um diagnóstico comum em âmbito nacional: o baixo engajamento orgânico na plataforma quando não há estímulos adicionais.

A estratégia adotada pela unidade capixaba foi criar uma ponte entre a plataforma e as cooperativas, incentivando que cada uma criasse mecanismos próprios de engajamento.

Entre os cases apresentados, destacou-se a parceria com a Unimed Vitória, que vinculou a conclusão de trilhas ao Programa de Participação nos Resultados (PPR) dos seus colaboradores. A iniciativa resultou em mais de 14 mil matrículas concluídas em 2024 e 2025, com duas trilhas voltadas a colaboradores e lideranças. A campanha continua ativa em 2026.

Outro exemplo foi o Sicoob ES. A cooperativa alcançou a marca de mais de 2 mil matrículas concluídas em dois anos, a partir de uma trilha que contempla competências específicas do cooperativismo de crédito.

Já na Universidade Vila Velha (UVV), a estratégia partiu de uma palestra sobre cooperativismo com alunos do curso de Direito, seguida da apresentação de uma trilha como incentivo de horas complementares e sorteio de brindes para quem a concluísse. O resultado foram mais de 150 matrículas feitas na plataforma em um único dia.

“A experiência capixaba reforçou a abordagem apresentada no encontro. Mais do que a ferramenta em si, o engajamento depende da trilha adequada, do momento institucional oportuno e de incentivos alinhados ao perfil do público envolvido”, avalia Santiago.


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Fonte: Sistema OCB/ES

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